domingo, 24 de junho de 2018

O ódio anti-religioso na Albânia comunista

O regime do ditador Enver Hoxha na Albânia superou a perseguição religiosa. Muito além de um conflito ideológico, o regime comunista alimentou um ódio visceral às manifestações de fé. O seu governo procurou reformular radicalmente o ethos albanês reestruturando a sociedade  através de uma sistemática e organizada perseguição às religiões. Era necessário recriar uma identidade nacional centralizada na devoção ao país e à raça. Para tanto, Hoxha iniciou uma política de destruição cultural de toda expressão pública de fé. Clérigos muçulmanos e cristãos foram presos, milhares de mesquitas e igrejas foram fechadas. O governo da Albânia passou a destruir enfaticamente minaretes e torres, assim como santuários sufis que atraiam a muitos peregrinos. As práticas religiosas foram proibidas e uma estrutura de vigilância e terror aplicada com rigor. 

Hoxha buscava formar uma nova geração de albaneses totalmente desconhecedores da religião em sua doutrina e história. Em 1967, o regime comunista declarou a Albânia o único país não-religioso e ateu do mundo, proibindo todas as formas de prática religiosa em público. As orações comunais de sexta-feira em uma mesquita foram proibidas e quem possuia um volume do Alcorão poderia ser preso caso descoberto. Entre os adeptos da Ordem Bektashi, a transmissão do conhecimento limitou-se a poucos círculos familiares que residiam principalmente no campo. 

Desde o início da ascensão comunista, muçulmanos e cristãos estiveram lado-a-lado na luta contra a opressão. Em 1946, logo após a tomada de poder, dois franciscanos - Lek Luli e Anton Harapi - e dois padres seculares - Lazer Shantoja e Andrea Zadeja - foram sumariamente executados. Shantoja foi tão gravemente torturado antes de morrer, com seus antebraços e ossos da perna quebrados, que ele só podia andar com os cotovelos. Outros sacerdotes de importância no mundo intelectual também foram mortos. O governo também executou o advogado muçulmano Muzafer Pipa, que defendeu corajosamente a estes jesuítas e franciscanos.

As mesquitas tornaram-se em alvos recorrentes para os comunistas albaneses, que acreditavam que a simples existência de templos era uma afronta ideológica. Os edifícios foram apropriados pelo estado, que freqüentemente os transformava em locais de reunião, salões de esportes, armazéns, celeiros, restaurantes, centros culturais e cinemas, na tentativa de apagar essas ligações entre os templos e o povo. Em 1967, no espaço de sete meses, o regime comunista destruiu a 2169 edifícios religiosos e outros monumentos. Em Tirana, em 1991, apenas duas mesquitas estavam em posição de serem usadas para o culto e apenas nove mesquitas da era otomana sobreviveram à ditadura de Hoxha.  O mesmo também se aplicou ao Cristianismo albanês, ortodoxo e católico. Todas as igrejas foram tomadas pelo estado e, em 1990, cerca de 95% dos edifícios religiosos foram destruídos ou convertidos para outros usos. Quase 2000 igrejas foram destruídas. Mais de 100 padres católicos e bispos foram executados ou morreram sob tortura ou em campos de trabalho. Hoxha até mesmo construiu um museu do ateísmo. O seu ardor anti-clerical e sua fúria no controle social eram tão radicais que a URSS se opôs ao seu regime. 

O governo comunista, através de sua política ateia, destruiu o modo de vida muçulmano e a cultura islâmica na Albânia, assimo como reduziu o Cristianismo a destroços. Entretanto, quando os serviços religiosos foram autorizados novamente em 1990, imediatamente atraíram a milhares de pessoas. O governo devolveu as propriedades religiosas em 1991, mesmo ano em que Madre Teresa, albanesa étnica, fez uma breve visita ao país e abriu um convento. A igreja albanesa triunfou a um alto preço. Dos 156 sacerdotes antes do início da perseguição, 65 foram martirizados e 64 morreram durante ou após a prisão. O Islamismo também ressurgiu das cinzas, com a redescoberta da religião por uma juventude educada sob a comosvisão ateia do comunismo. Igualmente, a Ordem Bektashi, de grande importância na Albânia, se reorganizou e renasceu com grande fervor. No séc. XX não houve uma fé mais verdadeira do que a dos crentes muçulmanos e cristãos da Albânia. 

sábado, 23 de junho de 2018

A radicalização da Argélia e o início da Guerra Civil

Quando a Argélia se tornou independente em 1962 com a Frente de Libertação Nacional, saindo vitoriosa a sua ala socialista e nacionalista, iniciou-se um processo de retomada do orgulho árabe. Entretanto, havia um problema muito concreto: poucos dos líderes políticos e intelectuais da nova República Popular dominavam o idioma. Após mais de um século de controle francês, a Argélia era profundamente francófona em suas metrópoles. Em meio a esta necessidade real de re-arabização, a Igreja Católica se prontificou como auxílio educativo. Contudo, devido a uma demanda crescente, o governo adotou uma política que, talvez, marcará a história do país. A contratação de professores oriundos do Egito, da Arábia Saudita e da Líbia será o meio de difusão do radicalismo islâmico junto à juventude argelina.

Muitos sacerdotes, monges e freiras tinham um largo conhecimento do árabe, tanto por uma preparação para o trabalho apostólico na Argélia, como pela secular presença Católica em outros países árabes, como Síria, Líbano e Egito. A Igreja tomou a liderença desse movimento de reconstrução cultural, destacando-se, por exemplo, a Dom Henri Teissier, Arcebispo de Argel, que ensinou o idioma aos familiares de Houari Boumédiène, Presidente do país, e às esposas de inúmeros Ministros. A Igreja também começou a "importar" a freiras libanesas e o Centre des Glycines, fundado em Orã para ensinar árabe ao clero, passou a se dedicar ao ensino aos próprios argelinos. 

Entretanto, este contexto também será usado para a radicalização do país. O governo, sendo incapaz de suprir à petição da juventude sedenta por compor identitariamente a esta nova Argélia árabe-socialista, também fez sua parte e apoiou a contratação de milhares de professores especialmente egípcios. Grande parte desses homens estavam formados dentro de concepções radicalizadas, seja da Irmandade Muçulmana ou do wahhabismo saudita. Ao mesmo tempo, a Argélia despertava para o processo de ascensão política dos diversos grupos islâmicos confessionais, surgidos de movimento puristas em uma simbiose entre socialismo com integrismo doutrinal. A Frente Islâmica de Salvação, criada em 1989, era a união dessas variadas facções e ideologicamente se aproximava mais ao modernismo muçulmano do que ao wahhabismo salafista.

A crescente ascensão tradicionalista logo refletiu em uma adoção, por parte do Estado argelino, de uma séria de políticas públicas que buscavam aplacar a fúria de um segmento ideológico em constante fortalecimento. Na nova Constituição de 1976, além de se radicalizar pautas socialistas, como a nacionalização das terras de cultivo e apropriação dos bens da Igreja, o governo declarou o Islã como religião oficial e assentou as bases para uma islamização ainda mais profunda. O Ministério da Religião passou a construir mesquitas por todo o país e a formar imames. Em 1984 um Código Familiar foi aprovado no qual o papel da mulher estava legalmente reduzido ao lar e à família, dando respaldo para a primazia patriarcal. Esse processo fortaleceu a demanda por líderes religiosos treinados, que trouxeram com eles uma estrutura ideológica radical que perfeitamente se acoplava a uma sociedade em profunda crise.

O processo de transformação da FIS, que buscava islamizar a sociedade argelina por vias democráticas, iniciou-se com a pregação externa. Professores egípcios e sauditas, ardorosos críticos da forte influência sufi no Islamismo local, se transformaram em catalisadores de um cansaço populacional com o desgaste do modelo secular. Através deste processo de radicalização, com a implantação de uma concepção islâmica estranha à Argélia, formou-se as bases da Guerra Civil que se iniciará em 1991. Vale destacar que um ano antes, em 1990, a FIS havia sido a grande vitoriosa das eleições municipais, controlando a 28 das 30 maiores cidades do país.

A maior resistência ao radicalismo salafista na Argélia foi a ação organizada das lideranças dos anciãos sufis. Apesar disso, os professores enviados às Comunas Islâmicas, como a FIS passou a chamar às cidades sob o seu controle político, encontravam uma disposição natural à pregação confessional junto aos jovens. Em Tibhirine, onde estavam os Monges Trapistas, os professores de árabe escreveram ao Ministério da Religião solicitando a destruição da imagem da Virgem Maria no Monte Abdelkader. O Ministério, afrontado pela ascensão do confessionalismo, enviou ao prefeito de Medea um aviso para a demolição da estátua. Este, em resposta à ordem do governo, disse que o faria somente depois que este mesmo governo destruísse todas as outras imagens de heróis nacionais construídas em Argel. O silêncio do Ministério era uma resposta eloquente. A imagem da Virgem Maria não foi destruída, ao menos não nesse momento, e os impopulares e radicais professores egípcios foram expulsos de Medea. Os muçulmanos locais, buscando uma maior proteção da imagem mariana, construíram um parque e um jardim ao seu redor.

Entretanto, apesar de todo o esforço da Igreja e das Ordens Sufis argelinas, o radicalismo salafista se espalhou pelo país, tomando de assalto à Frente Islâmica de Salvação que já tinha uma natural inclinação anacrônica. O estopim para Guerra Civil foi a sua estrondosa vitória em 1991, com 82% dos mandatos sob o seu controle. Os liberais, socialistas e secularistas sabiam que tamanho poder logo seria utilizado para a destruição das próprias estruturas democráticas. Assim, curiosamente, em nome da democracia, um golpe militar foi dado e iniciou-se um sangrento conflito que duraria por mais de uma década.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A ocupação da Argélia e o uso político do Catolicismo

"Nossa Senhora da África, rogai por nós e pelos muçulmanos"
Quando o primeiro soldado francês desembarcou em Sidi-Ferruch, próximo a Argel, encontrou uma população muçulmana devota, que visitava a lugares sagrados, seguia aos marabouts, realizava longos jejuns e piedosas peregrinações. Não imaginavam estes que aqueles militares europeus que ali aportavam lutaram por uma revolução liberal ao lado de Napoleão, contra a influência clerical e a "superstição religiosa". A França nascida da Revolução gerou um marco sociológico na mudança da mentalidade europeia através do ódio à religião. A criação do estado inimigo da Igreja e da fé popular talvez seja o grande "legado" francês no mundo moderno. 

A ocupação da Argélia em 1830 foi acompanhada na França pela derrubada da dinastia Bourbon, que havia chegado ao trono novamente após a crise do regime napoleônico em 1814. Os Bourbons restauraram o regime confessional, derrubaram as leis anti-clericais, devolveram os templos para as suas finalidades de culto e até aprovaram os atos anti-sacrilégio. A Restauração foi destituída pela Revolução de Julho que encabeçada por banqueiros, sociedades republicanas e liberais, colocou a Luís Felipe, o "rei burguês" da Casa da Orleães, no trono. Este imediatamente retomou o espírito anti-clerical iluminista, abolindo leis e reocupando templos. O que se viu a partir de então foi uma sucessão de governos e regimes, todos alinhados com o liberalismo ideológico: a Segunda República Francesa, o Segundo Império Francês, a Terceira República Francesa etc.

Entretanto, apesar de todo este radicalismo na Europa, os franceses logo perceberam que a situação colonial necessitava de uma outra abordagem política, ainda que oposta ao aplicado do outro lado do Mediterrâneo. Enquanto na Europa a França se transformará na maior promotora do anti-clericalismo, com leis que dissolviam mosteiros, tomavam escolas católicas e aprisionavam padres e monges, na Argélia, por uma estratégia de domínio, o estado francês promoverá o Catolicismo e o florescimento das comunidades religiosas. Quando o Emir Abdelkader ibn Muhieddine, o líder da primeira resistência anti-ocupação na Argélia, assinou o Tratado de Tafna, em 1837, disse aos franceses: "Se vocês são cristãos, como dizem ser, vocês devem ter templos e sacerdotes. Nós seremos grandes amigos, já que nosso livro sagrado, o Alcorão, nos impele a viver em paz com os cristãos". A administração colonial levou isso a sério e entendeu que a promoção da cristianização da Argélia seria, curiosamente, a única forma de criar vínculos de afeto com os muçulmanos.

De fato, a defesa religiosa na colônia atingiu níveis somente comparados à piedade dos Bourbons, com um ardor devocional que sensibilizava até os adeptos do Islã. O estado estruturou as dioceses, apoiando a construção de templos e a formação de um clero local, enquanto ocupava igrejas e fechava conventos na França. A diocese de Argel, criada em 1838, em 1866 já havia sido elevada ao estado de Arquidiocese, com a criação das dioceses de Orã e Constantine. De igual maneira, o governo colonial custeou a edificação de mosteiros e casas religiosas, porque sabia da tradicional disposição islâmica aos monges: "Constatarás que aqueles que estão mais próximos do afeto dos crentes são os que dizem: Somos cristãos! porque possuem sacerdotes e monges que não se ensoberbecem em coisa alguma" (Alcorão 5, 82). 

Os políticos agnósticos e ateus se transformaram em paladinos da Igreja e, ao final, estavam certos. O primeiro mosteiro trapista fundado em Staouéli, se transformou rapidamente em um lugar sagrado para a comunidade islâmica. Os muçulmanos até curvavam as suas cabeças quando passavam por seus muros, em sinal de respeito. Quando Abdelkader se encontrou, anos depois, com Dom François Régis, seu primeiro Abade, comentou que já conhecia a fama dos monges pelos elogios que os seus soldados compartilhavam, destacando como sempre eram bem acolhidos. De fato, a vida monástica causava grande impressão por conta da sua semelhança com a espiritualidade islâmica: a constância na oração, os jejuns prolongados. Até mesmo os hábitos dos monges se pareciam às gandouras dos marabouts e a construção do mosteiro, com claustro, hospedaria e pátio, se assemelhava à arquitetura tradicional argelina.

Como havia pontuado Christian de Chergé, o superior assassinado do Mosteiro de Tibhirine em 1996 em um dos seus artigos sobre a religiosidade da Argélia, o homem argelino, ao longo de sucessivas eras - berbere pagã, cristã, muçulmana - teve como marca característica a associação da vida cotidiana à experiência religiosa, tendo a fé esse caráter de unificação dos valores e inclusive exercendo um papel fundamental nas lutas e revoltas. A posição colonial francesa, sem nenhum interesse real em evangelização ou defesa da identidade cristã, utilizou o Catolicismo como uma ponte de afeto entre a metrópole e a colônia. Para o homem argelino a dominação era por si atroz, ainda mais se exercida pelo homem europeu liberal e ilustrado, que sequer entendia a comosvisão sobrenatural do mundo. Talvez seja o único caso na história no qual a Igreja foi usada como instrumento político para conquistar os corações dos muçulmanos. 

terça-feira, 19 de junho de 2018

O Bispo e o Islã

Léon-Étienne "Muhammad" Duval, foi Arcebispo de Argel, na Argélia, de 1954 até 1988, sendo criado Cardeal pelo Papa Paulo VI. Conhecido pela sua ortodoxia doutrinal e litúrgica, se transformou no responsável por uma grande revolução nas relações islamo-cristãs no Magreb. Já como Bispo de Constantine, também na Argélia, Duval sempre foi um árduo crítico do preconceito institucional alimentado pelo governo francês nos tempos da colonização. Ademais, pontuava que a criação dessa atmosfera de ódio apenas geraria tensões que inevitavelmente se converteriam em violência. De fato, a guerra de independência da Argélia foi conhecida pela sua sanguinolência, deixando chagas que não curadas gerariam a guerra civil em 1991.

Cardeal Duval reconhecia que ele não era apenas o Bispo dos católicos, mas sim de toda a população de Argel. Por conta do seu trabalho de aproximação com os muçulmanos e sua crítica à crença na superioridade civilizacional francesa, passou a ser chamado pelos "Pieds-Noirs" de Muhammad Duval. A Argélia que surgiu após a independência, em 1962, parecia um sonho conquistado. O Islã era reconhecido como a religião oficial, mas o Cristianismo tinha a sua liberdade religiosa garantida. Além disso, o governo deu a nacionalidade argelina a diversos sacerdotes e religiosos e passou a tratar os padres como funcionários públicos, como fazia com os imames das mesquitas. O governo também transmitia nas rádios as Missas nas mais importantes solenidades litúgicas, como Natal, Páscoa, Pentecostes etc, com traduções em árabe, francês e berbere.

Entretanto, o aparente equilíbrio foi rompido por uma escalada de ódio. Dom Duval testemunhou a chegada do salafismo na Argélia independente, desestabilizando a paz que havia sido construída através de uma sólida aliança entre o clero cristão e as lideranças tradicionais islâmicas, especialmente sufis. A Frente Islâmica de Salvação (FIS) surgia na década de 80, muito influenciada por estudantes formados nas universidades da Arábia Saudita. Na década de 90, e como divisião da FIS, se estrutura o Grupo Islâmico Armado, responsável pelo sequestro e morte dos monges de Tibhirine. O radicalismo wahhabita possibiliou o aumento da violência anti-cristã, como no assassinato de Dom Gaston Marie Jacquier, Bispo Auxiliar de Argel, já em 1976. Além dos grupos radicais organizados, iniciativas fundamentalistas eclodiam sem uma partidarização muito clara. Pierre Claverie, Bispo de Orã, foi morto em um atentado a bomba feito por essas guerrillhas urbanas que surgiam no contexto amardo da Argélia.

Não obstante o terror, Cardeal Duval também pode testemunhar como, apesar de todas as adversidades, as comunidades consagradas católicas, juntamente com os muçulmanos tradicionais, puderam criar uma relação de paz e concórdia. Destaca-se, por exemplo, os Monges de Thibirine, que acolheram a milhares de argelinos refugiados ao redor do mosteiro, dando origem a um povoado abacial, até mesmo com a criação de um grupo de estudo e reflexão formado pelos trapistas e por místicos sufis. Outra grande iniciativa foi a fundação do Centre des Glycines, que era um instituto diocesano para os estudos do árabe clássico e do islamismo. A idéia original estava enfocada nos religiosos que planejavam servir na Argélia. Mas a independência fez com que uma grande quantidade de muçulmanos buscasse o Centro como meio para conhecer melhor sua cultura, empenhando-se em aprender o árabe, já que a língua colonial era o francês.

A vida de Cardeal Duval também é cheia de outras particularidades. Ele era muito amigo de Marcel Lefebvre, o Bispo tradicionalista, e foi chamado pelo Governo Interino do Irã, após a Revolução Islâmica, para visitar os americanos sequestrados na embaixada em Teerã. Em 21 de maio de 1996, os Monges de Tibhirine, sequestrados pelo GIA, foram decapitados. Dom Duval, ao receber a notícia, disse aos que estavam com ele: "a morte dos monges me crucifica". Décadas antes, em 1963, ele havia se oposto à decisão do Abade Geral trapista que pretendia fechar o mosteiro argelino. Para Duval, a presença monástica em solo islâmico era fundamental para a contemplação e a melhor ponte de diálogo. Um semana depois, aos 92 anos, "Muhammad" Duval falecia. Ele está sepultado na Basílica de Nossa Senhora da África, em Argel.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Cronologia da história política Iraque


1534 - 1918 - Região faz parte do Império Otomano.
1917 - Grã-Bretanha toma Bagdá durante a Primeira Guerra Mundial.
1920 - Liga das Nações aprova o mandato britânico no Iraque, provocando revolta em todo o país.
1921 - Grã-Bretanha nomeia Feisal, filho de Hussein Bin Ali, como rei.
1932 - O mandato termina, o Iraque se torna independente. A Grã-Bretanha mantém bases militares.
1941 - A Grã-Bretanha reocupa o Iraque após o golpe pró-Eixo durante a Segunda Guerra Mundial.
1958 - A monarquia é derrubada em um golpe militar de esquerda liderado por Abd-al-Karim Qasim e Abdul Salam Arif.
1963 - O primeiro-ministro Qasim é derrubado em um golpe liderado pelo partido pan-árabe Baath. O general Arif, que rompeu com Qasim quatro anos antes, torna-se presidente.
1963 - O governo baathista é derrubado pelo presidente Arif e por um grupo de oficiais.
1968 - Um golpe de Estado baathista coloca Ahmad Hasan al-Bakr no poder.
1972 - O Iraque nacionaliza a Companhia Petrolífera do Iraque.
1974 - O Iraque concede autonomia limitada à região curda.
1979 - Saddam Hussein sucede a Al-Bakr como presidente
1980-1988 - Guerra Irã-Iraque resulta em impasse.
1981 Junho - Ataque aéreo israelense destrói o reator nuclear iraquiano em Osirak, perto de Bagdá.
1988 Março - Iraque ataca a cidade curda de Halabjah com gás venenoso, matando milhares de pessoas.
1990 - O Iraque invade e anexa o Kuwait, provocando o que ficou conhecido como a primeira Guerra do Golfo. Uma campanha militar liderada pelos EUA força o Iraque a se retirar em fevereiro de 1991.
1991 Abril - Iraque submetido a programa de inspeção de armas.

1991 Meados de março/início de abril - populações xiitas do sul e curdas do norte, encorajadas pela derrota do Iraque no Kuwait, rebelam-se, o que levou a uma repressão brutal.
1995 Abril - ONU permite a retomada parcial das exportações de petróleo do Iraque para comprar alimentos e remédios em um programa de petróleo por alimentos.
1998 Outubro - O Iraque encerra a cooperação com a Comissão Especial da ONU para supervisionar a destruição do seu armamento nuclear/biológico
1998 Dezembro - A campanha Desert Fox, dos EUA e da Grã-Bretanha, visa destruir os programas de armas nucleares, químicas e biológicas do Iraque.
2001 Fevereiro - Grã-Bretanha e EUA realizam bombardeios para tentar desabilitar a rede de defesa aérea do Iraque.
2002 Novembro - Inspetores de armas da ONU retornam ao Iraque apoiados por uma resolução da ONU que ameaça haver sérias conseqüências se o Iraque violar o acordo.
2003 Março - A invasão liderada pelos EUA derruba o governo de Saddam Hussein, marca o início de anos de violentos conflitos com diferentes grupos que competem pelo poder.
2003 Julho - O Conselho de Governadores nomeado pelos EUA se reúne pela primeira vez.
2003 Agosto - O caminhão-bomba destrói a sede da ONU em Bagdá, matando o enviado da ONU, Sérgio Vieira de Mello. Um carro-bomba em Najaf mata 125 pessoas, incluindo o líder xiita, o Ayatollah Mohammed Baqr al-Hakim.
2003 Dezembro - Saddam Hussein capturado em Tikrit.
2004 Março - Atentados suicidas atacam as celebrações xiitas em Karbala e Bagdá, matando 140 pessoas.
2004 Abril-Maio - Evidência fotográfica emerge do abuso de prisioneiros iraquianos por tropas dos EUA na prisão de Abu Ghreib em Bagdá.
2004 Junho - Os EUA entregam a soberania ao governo interino liderado pelo primeiro-ministro Iyad Allawi.
2004 Agosto - Luta em Najaf entre as forças dos EUA e a milícia xiita do clérigo Moqtada Sadr.
2004 Novembro - Grande ofensiva liderada pelos EUA contra insurgentes em Falluja.
2005 Janeiro - Eleições para uma Assembléia Nacional de Transição.
2005 Abril - Em meio à crescente violência, o parlamento seleciona o líder curdo Jalal Talabani como presidente. Ibrahim Jaafari, um xiita, é nomeado primeiro-ministro.
2005 Maio em diante - Surto de carros-bomba, explosões e tiroteios
2005 Junho - Massoud Barzani é empossado como presidente regional do Curdistão iraquiano.
2005 Outubro - Os eleitores aprovam uma nova constituição, que visa criar uma democracia federal islâmica.
2005 Dezembro - Os iraquianos votam no primeiro governo e parlamento desde a invasão liderada pelos EUA.
2006 Fevereiro em diante - Um ataque a bomba em um importante santuário xiita em Samarra desencadeia uma onda de violência sectária na qual centenas de pessoas são mortas.
2006 Abril - O recém-reeleito presidente Talabani pede que o candidato xiita Nouri al-Maliki forme um novo governo, encerrando meses de impasse.
2006 Junho - O líder da Al-Qaeda no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi, é morto em um ataque aéreo.
2006 Novembro - Iraque e Síria baathista restauram relações diplomáticas depois de quase um quarto de século.
2006 Dezembro - Saddam Hussein é executado por crimes contra a humanidade.

2007 Janeiro - O presidente dos EUA, George W. Bush, anuncia uma nova estratégia para o Iraque. Milhares de soldados dos EUA serão enviados para reforçar a segurança em Bagdá.
2007 Agosto - Líderes curdos e xiitas formam uma aliança para apoiar o governo do primeiro-ministro Maliki, mas não conseguem atrair líderes sunitas.
2007 Setembro - Controvérsias sobre empresas de segurança privada depois que seguranças da Blackwater supostamente atiraram em civis em Bagdá, matando 17 pessoas.
2007 Outubro - O número de mortes violentas de civis e militares continua a cair, assim como a freqüência de ataques com mísseis
2007 Dezembro - A Grã-Bretanha entrega a segurança da província de Basra às forças iraquianas, marcando efetivamente o fim de quase cinco anos de controle britânico do sul do Iraque.
2008 Janeiro - O Parlamento aprova a legislação que permite que ex-funcionários do partido Baath de Saddam Hussein retornem à vida pública.
2008 Março - O primeiro-ministro Maliki ordena a repressão contra a milícia em Basra, provocando batalhas campais contra o Exército Mehdi de Moqtada Sadr.
2008 Setembro - Forças dos EUA entregam o controle da província de Anbar, no oeste do país - outrora reduto da Al-Qaeda - para o governo iraquiano. É a primeira província sunita a ser devolvida ao governo liderado pelos xiitas.
2008 Novembro - Parlamento aprova um pacto de segurança com os Estados Unidos, sob o qual todas as tropas americanas devem deixar o país até o final de 2011.
2009 Junho - As tropas dos EUA se retiram das cidades do Iraque, seis anos após a invasão, tendo formalmente transferido as tarefas de segurança para as novas forças iraquianas.
2010 março - Eleições parlamentares. Nove meses se passam antes que um novo governo seja aprovado.
2010 Agosto - Sete anos após a invasão liderada pelos EUA, a última brigada de combate dos EUA deixa o Iraque.

2010 outubro - Igreja em Bagdá invadida por militantes. Mais de 50 pessoas morrem no que é descrito como o pior ataque a atingir os cristãos do Iraque nos tempos modernos.
2010 Novembro/Dezembro - O Parlamento se reune após um longo período de atraso, re-nomeia Jalal Talabani como presidente e Nouri al-Maliki como primeiro-ministro.
2011 Janeiro - O clérigo xiita Moqtada Sadr retorna depois de 4 anos de exílio auto-imposto no Irã.
2011 Dezembro - EUA conclui retirada de tropas. O governo da unidade enfrenta desafios. Mandado de prisão emitido contra o vice-presidente Tariq al-Hashemi, um importante político sunita. O bloco sunita boicota o parlamento e o gabinete.
2012 março - Cúpula da Liga Árabe em Bagdá. É a primeira grande cúpula a ser realizada no Iraque desde a queda de Saddam Hussein. Uma onda de ataques pré-cúpula mata dezenas de pessoas.
2012 Abril - As exportações de petróleo do Curdistão iraquiano foram suspensas pelo governo central por causa de contratos com empresas estrangeiras.
2012 - O Iraque cancela um acordo de US $ 4,2 bilhões para comprar armas da Rússia por causa de preocupações com a alegada corrupção dentro do governo iraquiano. A compra, assinada em outubro, teria feito da Rússia o segundo maior fornecedor de armas do país, depois dos EUA. Moscou foi o principal fornecedor de armas nos tempos de Saddam.
2012 Dezembro - Presidente Jalal Talabani sofre um derrame. Ele é tratado na Alemanha.
2013 Abril - A insurgência sunita se intensifica, com níveis de violência que coincidem com os de 2008. 
2013 Setembro - Uma série de bombardeios atinge a capital do Curdistão, Irbil, no primeiro ataque deste tipo desde 2007. O grupo do Estado Islâmico do Iraque diz que está respondendo ao apoio dos curdos iraquianos à ofensiva antijihadista promovida pelos curdos sírios.
2013 Outubro - Governo diz que outubro é o mês mais mortífero desde abril de 2008, com 900 mortos. Até o final do ano, a ONU estima que o número de mortos civis em 2013 seja de 7,157 - um aumento dramático.
2014 Janeiro - Combatentes islâmicos se infiltram em Falluja e Ramadi depois de meses de violência crescente na província de Anbar, principalmente sunita. Forças do governo recapturam Ramadi, mas enfrentam rebeldes entrincheirados em Falluja.
2014 abril - A coalizão do primeiro-ministro Al-Maliki ganha nas primeiras eleições parlamentares desde 2011, mas fica aquém da maioria.
2014 Junho-setembro - O Estado islâmico do Iraque e do Levante deixa a província de Anbar para tomar a segunda cidade de Mossul e outras cidades-chave do Iraque. Dezenas de milhares fogem em meio a atrocidades. Forças curdas, dos EUA e do Irã ajudam o governo a repelir ataques.
2014 Setembro - O político xiita Haider al-Abad forma um governo de base ampla, incluindo árabes sunitas e curdos. A liderança curda concorda em colocar o referendo da independência em espera.
2014 Dezembro - O governo iraquiano e a liderança da região curda assinam um acordo sobre a partilha da riqueza petrolífera e dos recursos militares do Iraque, em meio a esperanças de que o acordo ajude a reunir o país diante da ameaça comum representada pelo Estado Islâmico.
2015 Março - Estado Islâmico destrói sítios arqueológicos assírios de Nimrud e Hatra.
2015-2016 - O governo e as forças do Estado Islâmico lutam pelo controle da província de Tikrit e Anbar.
2016 Abril - Os partidários do clérigo Moqtada al-Sadr atacam o edifício do parlamento exigindo novo governo para combater a corrupção e acabar com a alocação de postos do governo ao longo de linhas sectárias.
2016 novembro - O Parlamento reconhece a milícia das Unidades de Mobilização Popular xiita (UGP) como parte das forças armadas com pleno status legal.
2017 Setembro - Recupera a independência em referendo ilegal encenado pelo governo regional curdo. Bagdá impõe medidas punitivas.
2017 Novembro - Forças do governo com aliados xiitas e curdos expulsam o Estado Islâmico do Iraque, exceto alguns poucos redutos. A ofensiva do exército rechaça as forças curdas em um movimento que visa deter o governo regional em direção a um Curdistão independente.
2018 maio - Eleições parlamentares. O bloco político do clérigo xiita Moqtada al-Sadr ganha mais votos.
2018 Junho - Irã e Turquia cortaram a água do Iraque.