domingo, 18 de março de 2018

Sobre as mulheres no Irã


Ayatollah Khomeini, desde o início da efervescência revolucionária, destacou a participação feminina como fundamental para a mudança do sistema de governo. Ele pontuava a importância do ativismo e exortava ao envolvimento político. Em alguns pronunciamentos se referiu às mulheres como "bravas e determinadas" e destacava a igualdade de direitos. De fato, com a consolidação da Revolução Islâmica o que se viu foi a ascensão da mulher nos diversos setores sociais.

O mito mais comum sobre as mulheres no Irã é que elas são vistas, mas não ouvidas, que não têm permissão para dirigir, que são cidadãos de segunda classe e que empreendedorismo e posições de poder estão fora de alcance. Essas noções estão totalmente equivocadas e reproduzem a imagem tradicional do regime saudita. No Irã, o contexto de empoderamento feminino é singular. As mulheres possuem e gerenciam empresas, muitas delas em setores dominantes do sexo masculino, como petróleo e gás, construção, mineração e agora tecnologia. Diferentemente do Brasil, 70% dos estudantes de ciência e engenharia do Irã são mulheres, por exemplo.

O número de jovens iranianas que foram admitidas em universidades aumentou vertiginosamente. Nos últimos cinco anos as mulheres iranianas compuseram mais de 60% dos estudantes universitários. A República Islâmica do Irã tem um dos maiores índices de educação feminina. As iranianas perfazem 50% da força laboral do país e o índice de participação parlamentar é de 13%. Alguns números são ainda melhores que os nossos. Enquanto no Irã mais de 60% das mulheres têm ensino médio, no Brasil esse número é de pouco mais de 50%. 

O mais interessante é notar o desenvolvimento do Irã em comparação aos dois regimes, o monárquico liberal e o republicano islâmico. Enquanto na década de 70 apenas 40% das mulhereres eram alfabetizadas desde a infância, em 2010 esse número chegou a 97%, índice mais expressivo que o brasileiro. O número de mulheres graduadas com ensino superior saltou de 120 mil para 5 milhões. 

Grande parte do empoderamento feminino iraniano nasce da própria experiência de fé. Figuras centrais do devocionismo xiita, como Fatimah Az-Zahra,  Zaynab bint Ali, Fatima Masumeh etc, são fontes de inspiração até mesmo para um feminismo islâmico. Filhas, netas e descendentes do Profeta Muhammad, elas lutaram, estudaram, discursaram, lideraram, trabalharam e por isso inspiraram às mulheres xiitas e funcionam como pontes de conexão entre a tradição do Islã e as demandas atuais das mulheres.

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